15 de mai de 2012

Luto e Recomeço




Sentar-se no banco em um anoitecer me faz lembrar dos momentos em que passei com ele. Alegre o sorriso em seu rosto escondia a morte, que nos consome desde o primeiro respirar. Eu olho atentamente aos casais que passam por aqui só para me recordar daquele corpo quente e magro; daquele moço tímido e tão sensual que me conquistou em uma tarde.
O que me mata não são as condições atuais do meu corpo, mas sim a ausência de Asher aqui. Porém eu posso senti-lo um pouco dentro de mim. As memórias vivas e pequenas aqui dentro de mim. Eu sinto a continuidade desta história.
Banco vazio e noite escura, mas as luzes contrastam o escuro e cativam para preencher o vazio. Deste modo, Asher, fazia comigo. Eu que sempre fui tão seca e vazia, em tão pouco tempo transbordei e descobri coisas a meu respeito.
Hoje percebo o valor da vida, a peculiaridade de ser, a singularidade de um humano. E observo pessoas que valorizam tanto as coisas, assim como eu fui. Mas com Asher eu aprendi a desejar o corpo, salvar a alma, viver em plenitude.
Homens perfeitos não existem, mas existem aqueles que fazem cocegas na perfeição, e Asher foi assim. Então me questiono como um menino magro e sem grandes dotes pode ter chegado tão perto de ser divino.
Quero que estas folhas ainda brancas e meu coração saibam quem foi Asher: um menino que tornou-se um grande homem, aplaudido por poucos outros homens. Ele morreu, o seu corpo não está aqui e não sinto seu espírito, mas a saudade me faz sempre recordar dos intensos momentos que passei com um adorador da vida.
Ele, Asher, é tão apaixonante que seria quase um ideal se não fosse conhecido apenas por mim, por sua família e por Edwin. E por falar no Edwin, ele tem me ajudado tanto, tenho encontrado nele um paralelo de Asher, mas a verdade é que juntos tentamos unir os fragmentos escondidos em mim e nele. Asher sempre fez estas coisas embaraçosas e complexas, e ainda nos perturba e não nos deixa descansar, tirar o sapato – ele sempre estava correndo para pegar o próximo metro para as baldeações da vida.
Nova Iorque realmente é uma cidade única e diversa, não há tanta diferença que vivam entre si como aqui. Mas vivemos todos juntos, inconscientemente a perca de um grande individuo, de hábitos particulares e conceitos universais e representações falhas. Ele não será eleito o Homem do Milênio, porém é eleito o homem da minha vida. Ao qual o luto não é tão ruim, pois sei que foi uma vida aproveitada até o ultimo segundo, eu conferi o ultimo segundo. Eu estava lá quando ele suspirou bem forte a ponto de seu peito elevar-se extremamente. Alguns decidem viver outros apenas vivem por acaso. 


9 comentários:

  1. minha conexão caiu bem na hora de enviar o comentário, então comento novamente!

    adorei o texto! digno de livro!
    bjksss

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  2. Lindo texto,mas não é um texto triste por que faz refletir sobre a vida.Gostei muito,ainda mais acompanhado pela música da Beyoncé.
    (Acho que vou deixar o blog aberto por mais algum tempo só para continuar ouvindo.)
    Te convido a conhecer meu blog:
    http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/ .

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  3. Nossa, foi apenas um capítulo e já achei encantadora a personalidade de Asher.
    Continuarei visitando o blog para conferir a continuação da história.

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  4. Que lindo! *O* isso é um conto ou um livro?
    Amei o blog! Voltarei! :D

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  5. Lindo texto flower, adorei seu blog, e já estou seguindo !! Se puder me ajudar a chegar a minha meta de 500 seguidores, please! Agradeço

    Bejus :*
    http://sweet-flower-laura.blogspot.com.br/

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  6. Gostei de como escreveu... Parabéns!

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